3 em cada 10 quilos de açaí na Amazônia Legal vêm de áreas sem energia elétrica, aponta estudo do IEMA

3 em cada 10 quilos de açaí na Amazônia Legal vêm de áreas sem energia elétrica, aponta estudo do IEMA

A Rede Energia & Comunidades (REC) destaca novo estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), organização que integra a nossa Rede, que evidencia um dado alarmante sobre desigualdade energética na Amazônia: cerca de 30% da produção de açaí na Amazônia Legal é oriunda de estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica de fornecimento público.

O levantamento, construído a partir de dados oficiais do IBGE e sistematizado em plataforma pública, analisa a relação entre sociobioeconomia e acesso à energia na região. O estudo mostra que:

  1. Uma parcela significativa dos estabelecimentos extrativistas da Amazônia Legal ainda opera sem eletrificação;

  2. Em estados como Roraima, cerca de 74% desses estabelecimentos não possuem acesso à rede elétrica;

  3. No Amazonas, o percentual chega a aproximadamente 66%;

  4. No Pará, estado líder na produção de açaí, cerca de 45% dos estabelecimentos extrativistas ainda não estão eletrificados.

A ausência de energia impacta diretamente a cadeia produtiva. O açaí é altamente perecível e exige refrigeração rápida para agregação de valor e ampliação do mercado. Sem eletricidade, muitas famílias ficam restritas à venda in natura e dependem de atravessadores, o que reduz renda, autonomia produtiva e capacidade de organização local.

O estudo também dialoga com um cenário mais amplo de exclusão energética na região Norte, onde ainda há centenas de milhares de pessoas sem acesso adequado à energia elétrica. Esse déficit compromete não apenas a produção de alimentos e produtos da floresta, mas também serviços básicos, educação, saúde e qualidade de vida.

Os dados reforçam um ponto essencial para a Rede Energia & Comunidades: não há fortalecimento da sociobioeconomia amazônica e autonomia territorial sem garantir acesso à energia adequada, confiável e de qualidade.

Confira o estudo completo e explore os dados na plataforma do IEMA.

Foto: iStock

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Rede Energia & Comunidades está de cara nova!

Rede Energia & Comunidades está de cara nova!

 

Com a nossa cara. Com a nossa voz. Porque a energia é para todos os territórios. 

Em setembro de 2025, a Rede Energia & Comunidades apresenta sua nova identidade visual. Mais do que uma mudança estética, essa logo é resultado de um processo de reflexão e de construção coletiva dentro da própria Rede, que contou com a participação ativa de organizações, coletivos e comunidades parceiras. 

A criação foi conduzida pelo comunicador e designer indígena Cristian Wari’u, que traduziu em traços, cores e símbolos aquilo que nos move desde o início: lutar por uma justiça energética feita com protagonismo, diversidade e respeito às vozes dos territórios.

 

O que a nova logo representa? 

🔸 Dois rostos, muitas histórias, uma só luta. 
As figuras lado a lado simbolizam a caminhada conjunta, lembrando que ninguém transforma sozinho. 

🔸 Olhares conjuntos para o futuro. 
Porque a energia, quando construída em rede, abre caminhos para dignidade, autonomia e novos horizontes de vida. 

🔸 As cores da terra, das águas, das florestas e do sol. 
A paleta conecta nossa atuação com os territórios, com a ancestralidade e com a natureza que sustenta a vida. 

 

Por que mudar agora? 

A atualização da identidade da Rede surge da necessidade de comunicar melhor quem somos e o que defendemos. Desde a sua criação, a Rede Energia & Comunidades tem reunido experiências diversas, vindas de quilombolas, indígenas, ribeirinhos, movimentos urbanos e tantas outras comunidades que vivem na pele os impactos da desigualdade energética. 

Essa pluralidade precisava estar também no nosso símbolo: uma marca que expressa, sem palavras, que a energia é um direito fundamental e só faz sentido quando construída de forma justa, coletiva e participativa. 

 

Um convite para seguir juntos 

Mais do que um novo desenho, essa logo é um convite para fortalecer laços e reconhecer quem sempre esteve na linha de frente da defesa do acesso universal à energia. É também um chamado para que novas pessoas, organizações e comunidades se somem a essa luta por justiça energética com respeito e protagonismo. 

Acompanhe nossas redes sociais e descubra mais sobre a nossa atuação! 

 

Rede Energia & Comunidades — Justiça energética com protagonismo e respeito.

Rede Energia & Comunidades: aliança por justiça energética na Amazônia ganha destaque internacional​

Rede Energia & Comunidades: aliança por justiça energética na Amazônia ganha destaque internacional

Relato sobre a Rede foi publicado no relatório internacional “Let Communities Lead"

Texto: Rafael Lembi – Rede Energia e Comunidades

Publicado no final de 2024 no relatório internacional Let Communities Lead, o capítulo “Rede Energia & Comunidades: uma aliança para o pleno acesso à energia na Amazônia brasileira” apresenta uma poderosa narrativa sobre justiça energética na região amazônica. Coautorado por especialistas e lideranças comunitárias, o texto documenta a trajetória e os impactos da Rede Energia & Comunidades — uma coalizão formada por organizações da sociedade civil, ativistas e representantes de povos tradicionais da Amazônia.

O trabalho destaca como o acesso pleno, justo e sustentável à energia ainda é um desafio em muitas comunidades amazônicas. A Rede se propõe a enfrentar esse desafio por meio da articulação política, produção de conhecimento e formação de alianças em escala local, nacional e internacional. A publicação mostra como a Rede vem fortalecendo a capacidade das comunidades para participar ativamente de decisões energéticas, ao mesmo tempo em que denuncia modelos centralizados e excludentes de desenvolvimento.

Uma das grandes inovações do capítulo é sua abordagem bilíngue — publicado em português e inglês — o que amplia seu alcance e reforça o protagonismo dos autores e comunidades envolvidas. A narrativa também dá ênfase à importância de redes de apoio entre comunidades, pesquisadores, técnicos e formuladores de políticas para viabilizar uma transição energética que respeite os direitos territoriais, culturais e socioeconômicos dos povos da floresta.

Com foco na Amazônia, mas com implicações globais, a publicação ressalta que o acesso à energia não pode ser visto como uma simples questão técnica, mas como um direito humano fundamental. Ela propõe que apenas com a liderança das comunidades locais será possível promover transições energéticas verdadeiramente justas, inclusivas e sustentáveis.

O relatório completo está disponível no site do projeto Let Communities Lead, e o capítulo está localizado entre as páginas 57 e 80 da publicação.

Imagem em destaque: capa do relatório

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Encontro no Xingu discute acesso à energia em terras indígenas​

Encontro no Xingu discute acesso à energia em terras indígenas

Evento reuniu representantes de 12 povos indígenas com setores do governo e organizações para debater desafios e propostas para a implementação do Programa Luz para Todos nos territórios

Texto: Aylla Oliveira – Rede Energia e Comunidades e IDGlobal

Fotos: Tauan Alencar – Ministério de Minas e Energia (MME)

Entre os dias 26 e 28 de março de 2025, foi realizado, na Aldeia Khikhatxi – localizada na Terra Indígena Wawi, parte do Território Indígena do Xingu (TIX), no estado do Mato Grosso – o 1° Encontro de Monitoramento Social e Avaliação do Programa Luz para Todos (LpT) em Terras Indígenas. O evento reuniu representantes de 12 povos indígenas do Xingu, com o objetivo de debater os principais desafios e encaminhar propostas concretas relacionadas à implementação do programa nos territórios.

A Rede Energia e Comunidades (REC) participou ativamente do encontro, por meio da atuação de organizações parceiras. A iniciativa também contou com a mobilização da Associação Indígena Khĩsêtjê (AIK), da Associação Terra Indígena Xingu (ATIX) e de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), Energisa MT e da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD).

A programação do Encontro teve início com uma oficina preparatória no dia 25 de março, voltada ao fortalecimento do diálogo entre organizações parceiras e lideranças indígenas, com ênfase na troca de saberes e no compartilhamento de experiências sobre a chegada da energia solar nos territórios. Um dos momentos mais significativos foi a atividade de explicação da conta de energia, conduzida com materiais impressos e linguagem acessível, que desvendou questões como os critérios da Tarifa Social, a cobrança por média de consumo e tributos indevidos. A partir dessa atividade, muitas lideranças puderam compreender, pela primeira vez, o que de fato estavam sendo cobradas. 

Nos dias seguintes, o encontro avançou com a presença de autoridades do governo federal, a concessionária de energia responsável pela área do território, representantes da sociedade civil e lideranças de 12 povos indígenas do Xingu, que expuseram suas experiências, formularam insatisfações e construíram propostas para uma política energética mais justa, efetiva e culturalmente adequada aos modos de vida coletivos das comunidades.

Carta Xinguana e documento da Rede resultaram do Encontro

As discussões resultaram na Carta dos Povos Indígenas Xinguanos sobre o Programa Luz para Todos, documento construído de forma coletiva, que expressa preocupações, denúncias e proposições relacionadas ao acesso à energia elétrica nos territórios indígenas do Xingu. Entre os temas abordados estão: falhas na implementação do LpT, dificuldades no acesso à Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), riscos à segurança das famílias, ausência de canais adequados de comunicação com as concessionárias e fragilidades na manutenção dos sistemas implantados. Além de denunciar essas problemáticas, a carta também propõe soluções, como a intensificação do diálogo entre as comunidades indígenas e as concessionárias, o fortalecimento dos canais de participação social e a adoção de medidas que garantam a manutenção contínua e adequada dos sistemas de energia nos territórios. 

Além da carta elaborada pelas lideranças indígenas, a Rede também consolidou sua contribuição formal por meio do documento intitulado Contribuição da Rede Energia & Comunidades ao Encontro de Monitoramento do Programa Luz para Todos no Xingu. Nesse posicionamento, a Rede reafirma seu compromisso com a defesa de políticas energéticas justas, inclusivas e construídas com base na escuta ativa dos povos indígenas e comunidades tradicionais. O documento está endereçado aos órgãos responsáveis pela formulação e execução da política pública e propõe caminhos concretos para a superação dos desafios identificados.

As cartas produzidas durante o Encontro de Monitoramento do Programa Luz para Todos no Xingu são instrumentos que articulam queixas, análises e propostas construídas de forma coletiva pelos e a partir dos territórios. Trata-se de um evento paradigmático, marcado pelo protagonismo indígena na formulação de diretrizes para políticas energéticas que os afetam diretamente. 

A Rede Energia e Comunidades atua no fortalecimento dessas contribuições e reafirma seu compromisso com o acompanhamento contínuo das reivindicações expressas pelas comunidades, articulando ações institucionais e oferecendo apoio direto nos territórios. As demandas apresentadas orientarão nossas próximas ações, com foco na incidência necessária para que as propostas construídas no chão dos territórios não apenas sejam ouvidas, mas efetivamente incorporadas às políticas públicas de energia.

Acesse nos botões abaixo a Carta dos Povos Indígenas e o documento da Rede Energia e Comunidades:

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Conheça o documento com as reivindicações das comunidades que resultou do II Encontro Energia & Comunidades​

Conheça o documento com as reivindicações das comunidades que resultou do II Encontro Energia & Comunidades​

Documento foi construído ao longo dos três dias do evento, de 9 a 11 de maio em Belém (PA)

O documento de reivindicações final do II Encontro Energia e Comunidades ecoa a voz dos povos indígenas, quilombolas e extrativistas da Amazônia brasileira. Durante os dias 9 a 11 de maio de 2023, em Belém-Pará, representantes dessas comunidades se reuniram para discutir questões energéticas cruciais e agora apresentam suas demandas ao Estado brasileiro.

Este documento reflete as principais reivindicações dos PIQCTs (povos indígenas, quilombolas e extrativistas) em relação à energia e todos os serviços e projetos a ela relacionados. Das Terras Indígenas às Reservas Extrativistas marinhas e florestais, das Florestas Nacionais aos Projetos de Assentamento Agroextrativistas Estaduais e Federais, as demandas aqui apresentadas exigem a atenção e ação do Estado.

Neste marco histórico, convocamos o Estado brasileiro a ouvir nossa voz coletiva, entender nossas necessidades e tomar medidas concretas para garantir um futuro energético sustentável, inclusivo e equitativo para todas as comunidades envolvidas.

Juntos, podemos transformar essas demandas em ações significativas, promovendo o respeito aos direitos dos povos indígenas, quilombolas e extrativistas, e construindo um caminho de energia justa e responsável para as gerações presentes e futuras.

Acesse a seguir o documento final com as reivindicações das populações:

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