Conselhão entrega a Lula propostas para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.​

Conselhão entrega a Lula propostas para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um conjunto de recomendações que irão compor as contribuições brasileiras aos Mapas do Caminho Global, iniciativa liderada pela Presidência da COP30 para apoiar a implementação de medidas capazes de acelerar a transição energética e fortalecer a ação climática em escala global.

Entre as propostas apresentadas está a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis, apontada como uma medida estratégica para alinhar as políticas públicas brasileiras aos compromissos climáticos assumidos pelo país. O documento também reúne recomendações relacionadas ao financiamento climático, à expansão das energias renováveis, ao fortalecimento da bioeconomia e à construção de mecanismos que garantam uma transição energética justa para trabalhadores e comunidades afetadas pelas transformações do setor.

As recomendações foram elaboradas a partir de contribuições de integrantes do Conselhão e compiladas pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS). O processo reuniu representantes do governo, do setor produtivo, da academia e da sociedade civil, refletindo o esforço de construir consensos em torno dos desafios econômicos, sociais e ambientais associados à transição energética.

A proposta de revisão dos subsídios aos combustíveis fósseis ganha relevância em um contexto no qual cresce a pressão internacional para que os países avancem na implementação dos compromissos assumidos nas negociações climáticas. Embora o Brasil possua uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo e demande a ampliação da geração de energia limpa de forma justa, ainda mantém incentivos públicos destinados a atividades ligadas à produção e ao consumo de petróleo, gás e outros combustíveis fósseis.

Nesse cenário, as recomendações do Conselhão reforçam a necessidade de que a transição energética seja acompanhada por mudanças estruturais nas políticas de investimento e desenvolvimento. Para organizações que atuam na agenda da justiça energética, a discussão não se limita à redução das emissões de gases de efeito estufa. Ela envolve também refletir sobre quem se beneficia dos recursos públicos, quais territórios concentram os impactos socioambientais da exploração energética e como assegurar que os custos e benefícios da transição sejam distribuídos de forma mais equitativa.

Organizações parceiras da Rede Energia & Comunidades estiveram entre os atores que contribuíram para as discussões que subsidiaram esse processo, fortalecendo perspectivas relacionadas à justiça energética, aos direitos territoriais e à participação social. As recomendações apresentadas ao presidente Lula reforçam a importância de transformar compromissos internacionais em ações concretas, capazes de alinhar a política energética nacional aos desafios da crise climática e às demandas por maior justiça socioambiental.

 

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Novo estudo do IEMA aponta que cerca de 5 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à energia elétrica na Pan-Amazônia.

Novo estudo do IEMA aponta que cerca de 5 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à energia elétrica na Pan-Amazônia

A Rede Energia & Comunidades (REC) divulga a publicação do estudo “Políticas públicas e experiências de acesso à energia: da agenda internacional às soluções comunitárias na Pan-Amazônia”, lançado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), organização integrante da Rede.

O relatório reúne uma análise abrangente sobre os desafios da universalização do acesso à energia elétrica em territórios amazônicos dos nove países que compartilham o bioma Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa). A pesquisa evidencia que, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, aproximadamente 5 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à energia elétrica na Pan-Amazônia, realidade que afeta de forma desproporcional povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e outras populações tradicionais.

A publicação destaca que a exclusão energética permanece associada a desafios estruturais, como o isolamento geográfico, os elevados custos de infraestrutura e a dependência de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, apresenta evidências sobre o potencial de soluções descentralizadas de energia renovável, especialmente sistemas solares fotovoltaicos, microrredes e sistemas híbridos, para ampliar o acesso a serviços essenciais, fortalecer atividades produtivas locais e reduzir a utilização de diesel em comunidades remotas.

Além de revisar políticas públicas de diferentes países amazônicos, o estudo analisa experiências práticas implementadas ao longo de uma década, demonstrando que iniciativas construídas com participação comunitária podem gerar impactos positivos na qualidade de vida, na geração de renda e na autonomia dos territórios.

Entre as recomendações apresentadas, o relatório defende a consolidação do acesso à energia como uma política de Estado, com financiamento permanente, marcos regulatórios adequados para sistemas isolados, fortalecimento da governança comunitária e incorporação de critérios de justiça energética, equidade de gênero e sustentabilidade territorial.

Para a Rede Energia & Comunidades, a publicação reforça a urgência de colocar as populações amazônicas no centro das políticas energéticas, reconhecendo que o acesso à energia não se resume à infraestrutura, mas está diretamente relacionado à garantia de direitos, à permanência nos territórios e à construção de uma transição energética justa.

Acesse o estudo completo e conheça as recomendações para a universalização do acesso à energia na Pan-Amazônia.

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Novo decreto do Luz para Todos incorpora reivindicações históricas dos territórios e movimentos​

Novo decreto do Luz para Todos incorpora reivindicações históricas dos territórios e movimentos

O Governo Federal publicou, em 8 de maio de 2026, o Decreto nº 12.964/2026, que atualiza as regras do Programa Luz para Todos (LPT) e prorroga sua execução até 31 de dezembro de 2028. A medida representa um passo importante para o fortalecimento das políticas de inclusão energética no Brasil, especialmente na Amazônia Legal e em regiões rurais e remotas historicamente afetadas pela exclusão energética.

A nova regulamentação amplia prioridades sociais e incorpora dimensões há muito reivindicadas por organizações da sociedade civil, movimentos sociais e comunidades tradicionais, incluindo pautas relacionadas à justiça energética, ao uso comunitário da energia e à adequação territorial das políticas públicas.

Entre os principais avanços do decreto está a ampliação dos grupos prioritários atendidos pelo programa. Além das populações já contempladas anteriormente, o novo texto passa a prever prioridade para famílias inscritas no Cadastro Único chefiadas por mulheres, famílias com pessoas idosas, pessoas com deficiência e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O decreto também reforça a centralidade de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais, agricultores familiares e demais povos e comunidades tradicionais no processo de universalização do acesso à energia.

Outro avanço importante é o reconhecimento de que o acesso à energia vai além da instalação de ligações elétricas domiciliares. O decreto amplia o escopo do programa e passa a prever o atendimento de estruturas coletivas e usos produtivos essenciais à vida comunitária e à permanência digna nos territórios. Entre os exemplos previstos estão sistemas de abastecimento de água, escolas, unidades de saúde, equipamentos comunitários, atividades produtivas locais, cooperativas, iniciativas de sociobioeconomia e outras infraestruturas de interesse coletivo. Na prática, a medida reconhece a energia elétrica como elemento estruturante para o fortalecimento de direitos básicos, da segurança alimentar, da comunicação, da educação, da produção local e da autonomia econômica das comunidades amazônicas. 

Outro ponto relevante é a incorporação de diretrizes relacionadas à sustentabilidade, eficiência energética, resiliência da infraestrutura e adequação socioterritorial dos projetos. O novo texto reconhece a necessidade de que as soluções implementadas dialoguem com os modos de vida, as dinâmicas locais e as demandas concretas das comunidades atendidas.

A Rede Energia & Comunidades (REC) recebe positivamente os avanços trazidos pelo novo decreto, especialmente por representarem o fortalecimento de uma compreensão mais ampla sobre inclusão energética no Brasil. Nos últimos anos, organizações, movimentos e comunidades amazônicas vêm defendendo que o debate sobre acesso à energia seja construído para além das metas quantificáveis de domicílios com conexão elétrica, incorporando também direitos territoriais, participação social, combate às desigualdades e justiça socioambiental. A incorporação de usos comunitários e produtivos da energia, o reconhecimento das especificidades amazônicas e a ampliação dos grupos prioritários representam avanços importantes nessa direção.

Ao mesmo tempo, a REC destaca que a efetividade dessas medidas dependerá da forma como serão implementadas nos territórios. A universalização do acesso à energia precisa ocorrer com participação social efetiva, transparência, fortalecimento do controle comunitário e respeito aos direitos dos povos e comunidades tradicionais, incluindo o direito à consulta prévia, livre e informada, conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Rede Energia & Comunidades seguirá acompanhando e monitorando a implementação do novo decreto, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas de inclusão energética comprometidas com justiça energética, soberania territorial, participação social e garantia de direitos.

 

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3 em cada 10 quilos de açaí na Amazônia Legal vêm de áreas sem energia elétrica, aponta estudo do IEMA

3 em cada 10 quilos de açaí na Amazônia Legal vêm de áreas sem energia elétrica, aponta estudo do IEMA

A Rede Energia & Comunidades (REC) destaca novo estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), organização que integra a nossa Rede, que evidencia um dado alarmante sobre desigualdade energética na Amazônia: cerca de 30% da produção de açaí na Amazônia Legal é oriunda de estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica de fornecimento público.

O levantamento, construído a partir de dados oficiais do IBGE e sistematizado em plataforma pública, analisa a relação entre sociobioeconomia e acesso à energia na região. O estudo mostra que:

  1. Uma parcela significativa dos estabelecimentos extrativistas da Amazônia Legal ainda opera sem eletrificação;

  2. Em estados como Roraima, cerca de 74% desses estabelecimentos não possuem acesso à rede elétrica;

  3. No Amazonas, o percentual chega a aproximadamente 66%;

  4. No Pará, estado líder na produção de açaí, cerca de 45% dos estabelecimentos extrativistas ainda não estão eletrificados.

A ausência de energia impacta diretamente a cadeia produtiva. O açaí é altamente perecível e exige refrigeração rápida para agregação de valor e ampliação do mercado. Sem eletricidade, muitas famílias ficam restritas à venda in natura e dependem de atravessadores, o que reduz renda, autonomia produtiva e capacidade de organização local.

O estudo também dialoga com um cenário mais amplo de exclusão energética na região Norte, onde ainda há centenas de milhares de pessoas sem acesso adequado à energia elétrica. Esse déficit compromete não apenas a produção de alimentos e produtos da floresta, mas também serviços básicos, educação, saúde e qualidade de vida.

Os dados reforçam um ponto essencial para a Rede Energia & Comunidades: não há fortalecimento da sociobioeconomia amazônica e autonomia territorial sem garantir acesso à energia adequada, confiável e de qualidade.

Confira o estudo completo e explore os dados na plataforma do IEMA.

Foto: iStock

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Rede Energia & Comunidades está de cara nova!

Rede Energia & Comunidades está de cara nova!

 

Com a nossa cara. Com a nossa voz. Porque a energia é para todos os territórios. 

Em setembro de 2025, a Rede Energia & Comunidades apresenta sua nova identidade visual. Mais do que uma mudança estética, essa logo é resultado de um processo de reflexão e de construção coletiva dentro da própria Rede, que contou com a participação ativa de organizações, coletivos e comunidades parceiras. 

A criação foi conduzida pelo comunicador e designer indígena Cristian Wari’u, que traduziu em traços, cores e símbolos aquilo que nos move desde o início: lutar por uma justiça energética feita com protagonismo, diversidade e respeito às vozes dos territórios.

 

O que a nova logo representa? 

🔸 Dois rostos, muitas histórias, uma só luta. 
As figuras lado a lado simbolizam a caminhada conjunta, lembrando que ninguém transforma sozinho. 

🔸 Olhares conjuntos para o futuro. 
Porque a energia, quando construída em rede, abre caminhos para dignidade, autonomia e novos horizontes de vida. 

🔸 As cores da terra, das águas, das florestas e do sol. 
A paleta conecta nossa atuação com os territórios, com a ancestralidade e com a natureza que sustenta a vida. 

 

Por que mudar agora? 

A atualização da identidade da Rede surge da necessidade de comunicar melhor quem somos e o que defendemos. Desde a sua criação, a Rede Energia & Comunidades tem reunido experiências diversas, vindas de quilombolas, indígenas, ribeirinhos, movimentos urbanos e tantas outras comunidades que vivem na pele os impactos da desigualdade energética. 

Essa pluralidade precisava estar também no nosso símbolo: uma marca que expressa, sem palavras, que a energia é um direito fundamental e só faz sentido quando construída de forma justa, coletiva e participativa. 

 

Um convite para seguir juntos 

Mais do que um novo desenho, essa logo é um convite para fortalecer laços e reconhecer quem sempre esteve na linha de frente da defesa do acesso universal à energia. É também um chamado para que novas pessoas, organizações e comunidades se somem a essa luta por justiça energética com respeito e protagonismo. 

Acompanhe nossas redes sociais e descubra mais sobre a nossa atuação! 

 

Rede Energia & Comunidades — Justiça energética com protagonismo e respeito.