Projeto conduzido por equipe com participação de Rafael Lembi, integrante da Rede Energia & Comunidades, levou energia solar e hidrocinética a três comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns, em Santarém (PA), e teve seus resultados publicados na revista Energy Research & Social Science

Projeto conduzido por equipe com participação de Rafael Lembi, integrante da Rede Energia & Comunidades, levou energia solar e hidrocinética a três comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns, em Santarém (PA), e teve seus resultados publicados na revista Energy Research & Social Science

A Amazônia gera cerca de 26% da energia elétrica do Brasil e consome apenas 8%. Na região, aproximadamente um milhão de pessoas vivem sem acesso à eletricidade, em sua maioria em comunidades indígenas, ribeirinhas e tradicionais que dependem de geradores a diesel, com poucas horas de funcionamento por noite e custos cada vez mais altos.

É desse cenário que parte o artigo Towards energy justice and energy sovereignty: Participatory co-design of off-grid systems in the Brazilian Amazon, publicado na revista Energy Research & Social Science (v. 119, 2025). O estudo é assinado por Rafael Lembi, integrante da Rede Energia & Comunidades, em conjunto com pesquisadoras e pesquisadores da Michigan State University, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). A pergunta que orienta o trabalho é direta. Como a participação comunitária pode ser aplicada, na prática, ao desenho de um sistema de energia local e isolado da rede?

A pesquisa foi realizada com as comunidades Cachoeirinha do Mentai, Vista Alegre do Maró e Porto Rico, situadas às margens dos rios Maró e Mentai, afluentes do Arapiuns (PA). A viagem de barco a partir de Santarém leva entre 12 e 20 horas, e não há acesso por estrada.

Antes da iniciativa, duas delas contavam com cerca de três horas diárias de energia gerada a diesel, com o litro do combustível chegando a R$ 12. Em Vista Alegre do Maró, os moradores chegaram a passar dois meses seguidos sem energia por falha no gerador. A falta de eletricidade obrigava as famílias a conservar alimentos no sal e limitava atividades de renda, como a costura de redes e a produção de farinha.

A parceria com as comunidades foi formalizada em 2022 e, desde o início, os moradores tiveram papel ativo nas decisões. Em oficinas participativas, votaram as prioridades de uso da energia e escolheram, sobretudo, usos coletivos, como internet comunitária, freezer compartilhado, bomba para poço de água e melhorias nas escolas. Também definiram as regras de gestão dos sistemas, combinando novos arranjos, como a escolha de um tesoureiro da energia e contribuições mensais das famílias, com práticas tradicionais, como o puxirum, forma de trabalho coletivo que mobilizou os moradores na construção dos abrigos para as baterias.

Para garantir a autonomia das comunidades na operação e manutenção dos equipamentos, professores de engenharia da UFOPA ministraram um curso de 40 horas a 17 pessoas de seis comunidades, escolhidas pelas próprias localidades, com a presença obrigatória de ao menos uma mulher por comunidade. Uma equipe da Universidade de Brasília (UnB) realizou ainda formação específica sobre a turbina hidrocinética.

Entre novembro de 2022 e julho de 2023, pesquisadores e moradores instalaram juntos os sistemas fotovoltaicos nas três comunidades, e os geradores a diesel passaram a funcionar apenas como reserva. Em Cachoeirinha do Mentai, as casas das famílias receberam eletricidade pela primeira vez, e a comunidade ganhou também uma turbina hidrocinética fabricada em Santarém, instalada em local indicado pelos próprios moradores. Em Vista Alegre do Maró, um sistema exclusivo passou a abastecer a bomba d’água da comunidade.

Ao detalhar cada etapa desse processo, o artigo mostra que justiça e soberania energética ganham forma concreta quando as comunidades deixam de ser apenas beneficiárias e passam a decidir sobre a energia que usam e a gerir seus próprios sistemas. A experiência dialoga com a meta do Programa Luz para Todos de universalizar o acesso à energia na Amazônia até 2028 e pode inspirar outras iniciativas na região. O monitoramento segue em andamento, e as primeiras observações indicam melhorias na qualidade de vida das famílias.

Leia o artigo completo logo abaixo!

Fotos: Hellen Mileo e Pauliana Vinhote

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Novo estudo do IEMA aponta que cerca de 5 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à energia elétrica na Pan-Amazônia.

Novo estudo do IEMA aponta que cerca de 5 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à energia elétrica na Pan-Amazônia

A Rede Energia & Comunidades (REC) divulga a publicação do estudo “Políticas públicas e experiências de acesso à energia: da agenda internacional às soluções comunitárias na Pan-Amazônia”, lançado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), organização integrante da Rede.

O relatório reúne uma análise abrangente sobre os desafios da universalização do acesso à energia elétrica em territórios amazônicos dos nove países que compartilham o bioma Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa). A pesquisa evidencia que, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, aproximadamente 5 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à energia elétrica na Pan-Amazônia, realidade que afeta de forma desproporcional povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e outras populações tradicionais.

A publicação destaca que a exclusão energética permanece associada a desafios estruturais, como o isolamento geográfico, os elevados custos de infraestrutura e a dependência de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, apresenta evidências sobre o potencial de soluções descentralizadas de energia renovável, especialmente sistemas solares fotovoltaicos, microrredes e sistemas híbridos, para ampliar o acesso a serviços essenciais, fortalecer atividades produtivas locais e reduzir a utilização de diesel em comunidades remotas.

Além de revisar políticas públicas de diferentes países amazônicos, o estudo analisa experiências práticas implementadas ao longo de uma década, demonstrando que iniciativas construídas com participação comunitária podem gerar impactos positivos na qualidade de vida, na geração de renda e na autonomia dos territórios.

Entre as recomendações apresentadas, o relatório defende a consolidação do acesso à energia como uma política de Estado, com financiamento permanente, marcos regulatórios adequados para sistemas isolados, fortalecimento da governança comunitária e incorporação de critérios de justiça energética, equidade de gênero e sustentabilidade territorial.

Para a Rede Energia & Comunidades, a publicação reforça a urgência de colocar as populações amazônicas no centro das políticas energéticas, reconhecendo que o acesso à energia não se resume à infraestrutura, mas está diretamente relacionado à garantia de direitos, à permanência nos territórios e à construção de uma transição energética justa.

Acesse o estudo completo e conheça as recomendações para a universalização do acesso à energia na Pan-Amazônia.

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Carta dos Povos Indígenas Xinguanos sobre o Programa Luz para Todos

Carta dos Povos Indígenas Xinguanos sobre o Programa Luz para Todos

Documento é resultado do 1° Encontro de Monitoramento Social e Avaliação do Programa Luz para Todos

A Carta dos Povos Indígenas Xinguanos sobre o Programa Luz para Todos é um documento construído de forma coletiva, que expressa preocupações, denúncias e proposições relacionadas ao acesso à energia elétrica nos territórios indígenas do Xingu. A carta foi elaborada como resultado do 1° Encontro de Monitoramento Social e Avaliação do Programa Luz para Todos (LpT) em Terras Indígenas, realizado entre os dias 26 e 28 de março de 2025 na Aldeia Khikhatxi – localizada na Terra Indígena Wawi, parte do Território Indígena do Xingu (TIX), no estado do Mato Grosso. 

Entre os temas abordados estão: falhas na implementação do LpT, dificuldades no acesso à Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), riscos à segurança das famílias, ausência de canais adequados de comunicação com as concessionárias e fragilidades na manutenção dos sistemas implantados. Além de denunciar essas problemáticas, a carta também propõe soluções, como a intensificação do diálogo entre as comunidades indígenas e as concessionárias, o fortalecimento dos canais de participação social e a adoção de medidas que garantam a manutenção contínua e adequada dos sistemas de energia nos territórios. 

Imagem de destaque: Tauan Alencar – Ministério de Minas e Energia (MME)

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Universalização do acesso à eletricidade no Brasil: avaliação dos SIGFIS e MIGDIS​

Universalização do acesso à eletricidade no Brasil: avaliação dos SIGFIS e MIGDIS

Estudo propõe melhorias e sugestões para avançar e aprimorar o cenário de acesso à eletricidade no Brasil

Este estudo, produzido pelo IEI Brasil em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), analisa os sistemas autônomos de geração instalados pelas distribuidoras de eletricidade para universalização do acesso à energia elétrica. A publicação traz uma avaliação atualizada dos sistemas autônomos individuais (SIGFI) ou minirredes (MIGDI), alimentados por fontes renováveis, instalados pelas distribuidoras. O estudo também traz análises sobre os principais desafios, barreiras e a percepção dos agentes envolvidos e impactados: consumidores, distribuidoras de energia elétrica e agência reguladora. A partir dos resultados encontrados, o estudo propõe melhorias e sugestões para avançar e aprimorar o cenário de acesso à eletricidade no Brasil.

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Sistemas fotovoltaicos na Amazônia Legal: avaliação e proposição de políticas públicas de universalização de energia elétrica e logística reversa

Sistemas fotovoltaicos na Amazônia Legal

Sistemas fotovoltaicos na Amazônia Legal: avaliação e proposição de políticas públicas de universalização de energia elétrica e logística reversa

Estudo indica quantos equipamentos são necessários para cumprir metas do Mais Luz para a Amazônia e qual a geração de resíduos

O estudo “Sistemas Fotovoltaicos na Amazônia Legal: avaliação e proposição de políticas públicas de universalização de energia elétrica e logística reversa”, lançado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) em maio de 2023, calculou quantos equipamentos (módulos fotovoltaicos e baterias) são necessários para cumprir as metas do Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica na Amazônia Legal – Mais Luz para a Amazônia (MLA). A análise também estimou quando e quantos resíduos serão gerados, ressaltando a importância da administração adequada desse fluxo, principalmente, referente às baterias. Ao final, traz observações tendo em vista políticas públicas.

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